Desenho de cabelo caindo

O que é eflúvio telógeno e quanto tempo dura?

A queda de cabelo que começa meses depois de um parto, uma cirurgia, uma doença, uma perda de peso rápida ou um período de estresse: por que acontece, quanto tempo dura e quando tratar.

Dra. Stephanie Mansan

Por Dra. Stephanie Mansan

MÉDICA · CRM-SP 243253 · Publicado em 6 de outubro de 2026

Eflúvio telógeno é o nome médico da queda de cabelo que vem depois de um abalo do corpo, como um parto, uma cirurgia, uma doença, uma perda de peso rápida ou um período de estresse forte. Com o abalo, muitos fios param de crescer ao mesmo tempo e começam a cair de um a três meses depois. Quando segue o curso natural, a queda tende a terminar em cerca de quatro meses, e, em uns seis meses, você sente que o cabelo parou de cair. Mas, muitas vezes, ela se arrasta e precisa de tratamento. E o fio que cai dá lugar a um fio novo, que nasce no mesmo lugar.

Quando o cabelo começa a cair muito, de repente, o susto é grande: a cada lavagem, os fios que se soltam são muitos, e o ralo dá tristeza. Muita gente chega ao meu consultório com medo de lavar o cabelo, achando que vai ficar careca. E as respostas aparecem de todos os lados: há quem mande esperar, porque passa, quem indique uma vitamina da farmácia e quem diga que é calvície. Entender o que está acontecendo já acalma, e é isso que quero explicar aqui: por que o cabelo cai, quanto tempo a queda dura e quando é hora de tratar.

O seu cabelo começou a cair depois de um parto, de uma cirurgia, de uma doença ou do emagrecimento? A consulta investiga o que provocou a queda e o que a está mantendo.

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Por que o cabelo cai de uma vez

Cada fio de cabelo tem o seu ciclo: cresce por um tempo, para de crescer, cai e dá lugar a um fio novo. Os fios não estão todos na mesma fase ao mesmo tempo: a maior parte está crescendo, e só uma parte pequena está na fase de queda.

Quando o corpo passa por um abalo, como um parto, uma cirurgia ou uma perda de peso rápida, mais fios entram juntos na fase de queda, antes da hora. Mas esses fios não caem na hora: o fio ainda leva um tempo para sair da cabeça, porque precisa atravessar as camadas do couro cabeludo. Por isso, a queda de hoje costuma vir de algo que aconteceu meses atrás e pode continuar por algum tempo, mesmo depois que o abalo passou.

Os médicos chamam a fase de queda de fase telógena. Daí o nome eflúvio telógeno: a queda dos muitos fios que entraram juntos nessa fase.

O que causa o eflúvio telógeno

O eflúvio telógeno começa com um abalo do corpo, como estes:

  • Um parto ou uma cirurgia. A queda depois do parto está entre as que mais atendo nas mulheres.
  • Uma doença, como a covid e a dengue.
  • Uma dieta muito restrita, que pode deixar o corpo sem os nutrientes de que o cabelo precisa.
  • A perda de peso rápida. Perder de um a um quilo e meio por semana já aumenta o risco de queda.
  • Um período de estresse forte, que cria um estresse no metabolismo e estimula a queda.

A perda de peso rápida explica muitos dos casos que atendo, por causa das canetas emagrecedoras, como o Mounjaro (tirzepatida) e o Ozempic (semaglutida): houve um período em que metade dos meus pacientes chegava com queda de cabelo depois de usar o Mounjaro. Com a caneta, a queda costuma ter dois motivos ao mesmo tempo: o peso que cai rápido e a alimentação, que perde proteína, vitaminas e minerais, porque a fome diminui. No artigo Mounjaro faz cair o cabelo?, explico por que isso acontece e como tratar a queda sem abrir mão do emagrecimento.

Nem sempre a queda tem uma causa só. A falta de vitaminas e minerais, alguma doença ou algum remédio que você esteja tomando também podem provocar a queda ou mantê-la depois que o abalo passou. A anemia por falta de ferro, mais comum nas mulheres, é um exemplo. Na consulta, investigo tudo isso, e não só o abalo que veio antes da queda.

Assista ao vídeoQueda de cabelo depois da dengue, da covid ou de cirurgia

Quanto tempo dura o eflúvio telógeno

Depende de a queda seguir o curso natural ou se arrastar.

Quando a queda segue o curso natural. Em geral, o abalo vem pelo menos um mês antes, e a queda começa de um a três meses depois dele. A melhora começa a aparecer em uns dois meses, a queda tende a terminar em cerca de quatro, e, em uns seis meses, você sente que o cabelo parou de cair. Os médicos chamam a queda que segue esse curso e passa de eflúvio telógeno agudo.

Quando a queda se arrasta e precisa de tratamento. O tratamento pede um pouco de paciência: a queda leva pelo menos três ou quatro meses para diminuir. Enquanto isso, os fios novos já estão nascendo: um mês depois, aparecem pontinhos novos, tão pequenos que só se veem no exame do couro cabeludo com aumento, a tricoscopia; com três ou quatro meses, surgem os fiozinhos arrepiados; e o cabelo fica mais cheio entre seis e doze meses. Para o cabelo ficar comprido, a ponto de você prendê-lo num rabo de cavalo, leva pelo menos um ano, às vezes dois ou mais, conforme o comprimento que você espera.

No começo do tratamento, a queda pode até aumentar antes de melhorar. Isso é esperado, e, na consulta, explico o que vai acontecer em cada etapa.

Eflúvio telógeno tem cura? O cabelo volta a crescer?

Tem cura, sim. A maior parte das quedas de cabelo tem cura e melhora por completo, e o eflúvio telógeno está entre elas: ele não é calvície, que tem tratamento, mas não tem cura, nem uma das doenças que deixam cicatriz no couro cabeludo, em que a evolução nem sempre é favorável. Quando a queda se arrasta, a cura passa por tratar o que a está mantendo.

E o fio que cai com uma bolinha clara na ponta não saiu com a raiz, como muita gente teme: estava na fase de queda e caiu porque já ia cair. O fio seguinte nasce no mesmo lugar.

Quando a queda não passa: o eflúvio telógeno crônico

Muitas vezes, a queda se prolonga e não se resolve sozinha. Os médicos chamam esse quadro de eflúvio telógeno crônico. Nele, não adianta esperar: se a queda não melhora, é porque precisa de algum tipo de intervenção.

Em muitos casos, o que mantém a queda é a falta de vitaminas e minerais, e ela continua enquanto essa falta não é reposta. Com as canetas emagrecedoras, a queda se arrasta quando a alimentação e a suplementação não acompanham o emagrecimento. E tempo é cabelo: quanto mais você adia o tratamento, mais fios perde e mais difícil fica recuperar o cabelo.

Veja o antes e depois do tratamento da queda de cabelo

O seu cabelo está caindo há meses e não melhora? Na consulta, investigo o que está mantendo a queda.

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Eflúvio telógeno ou calvície?

O eflúvio telógeno e a calvície são dois tipos de alopecia, o nome médico da perda de cabelo, mas são problemas diferentes, com tratamentos diferentes.

No eflúvio telógeno, o que chama a atenção é a queda: o cabelo cai aos bolos no banho. Na calvície, que os médicos chamam de alopecia androgenética, pode haver queda também, mas, às vezes, você nem nota o cabelo caindo: só nota que ele vai ficando ralo e mais fino. A tricoscopia, o exame do couro cabeludo que faço na consulta, mostra a diferença, porque, na calvície, os fios vão nascendo cada vez mais finos, e, muitas vezes, o diagnóstico sai ali mesmo.

Essa diferença importa, porque a maior parte das quedas não é calvície e não se trata como calvície. Muitas mulheres recebem o diagnóstico de calvície sem ter calvície e, às vezes, passam a tomar remédios que não servem para a queda delas.

Leia tambémAlopecia tem cura?

Como saber se é eflúvio telógeno

Queixas parecidas podem ter causas diferentes, e, por isso, o diagnóstico vem da consulta, que junta quatro coisas:

  • A sua história. Pergunto o que aconteceu nos meses antes de a queda começar, porque o abalo que a provoca costuma vir pelo menos um mês antes.
  • O teste de tração. Puxo de leve algumas mechas, em diferentes partes da cabeça, e vejo quantos fios se soltam.
  • A tricoscopia. Examino o couro cabeludo com o dermatoscópio, uma espécie de microscópio de mão, e vejo de perto a raiz dos fios e os sinais de calvície, de inflamação ou de outras doenças do couro cabeludo.
  • Os exames de sangue. Peço exames completos, que mostram as vitaminas, os minerais, os hormônios e os sinais de inflamação.

Para a consulta, vale chegar, se possível, 48 horas sem lavar o cabelo, para o teste de tração funcionar melhor, e uma semana sem pintá-lo, porque a tinta atrapalha a tricoscopia. Leve também os exames recentes, a lista dos remédios, dos suplementos e dos produtos que você usa e fotos antigas do seu cabelo, de antes da queda.

Como é o tratamento do eflúvio telógeno

Não existe um remédio único nem uma fórmula pronta para o eflúvio telógeno: o tratamento segue a causa da sua queda, que a consulta e os exames mostram. Ele pode reunir:

  • A reposição do que falta. As vitaminas e os minerais entram na dose que os seus exames pedem. O polivitamínico de farmácia não tem doses feitas para repor o que falta em você, e o suplemento tomado por conta própria pode até piorar a queda.
  • A alimentação. Oriento a alimentação, com atenção à proteína, porque a falta de proteína, por si só, já faz o cabelo cair.
  • Remédios que seguram o cabelo. Uso remédios que mantêm os fios na fase de crescimento e, quando é preciso, remédios que acalmam o couro cabeludo. Um deles pode ser o minoxidil, que funciona: nos primeiros três meses, ele pode aumentar a queda ou mantê-la, e, quando chega a hora de parar, sai aos poucos, com orientação médica.
  • A mesoterapia capilar. Aplicações bem pequenas levam remédios, vitaminas e minerais direto ao couro cabeludo, com a mistura escolhida para o que você precisa. Ela pode fazer bem a quase todo mundo que tem queda de cabelo, mas é sempre uma opção a mais, e não uma obrigação.

Se você usa caneta emagrecedora, em geral dá para tratar o cabelo sem parar a caneta: mantenho o emagrecimento e acrescento o tratamento da queda, e cuido das duas coisas na mesma consulta.

O que se diz por aí e o que eu respondo no consultório

“Lavar o cabelo todo dia faz cair mais.”

Não faz. No banho, você só vê sair os fios que já iam cair, e deixar de lavar não faz o cabelo parar de cair. Lavar todo dia ainda ajuda a evitar a dermatite seborreica, a caspa.

“Biotina resolve a queda.”

Só em quem tem falta de biotina. O cabelo depende do equilíbrio de todos os nutrientes, e só os exames mostram o que falta em você.

“Xampu antiqueda resolve.”

Sozinho, não. Ele pode ajudar no tratamento, mas não é a base dele.

“O fio caiu com a raiz e não nasce mais.”

Não é assim: no eflúvio telógeno, o fio novo nasce no mesmo lugar.

“Toda queda de cabelo é calvície.”

Não. A maior parte das quedas, como o eflúvio, tem outra causa e outro tratamento.

Quando procurar ajuda médica

O meu recado para quem está com o cabelo caindo é este: não deixe de procurar ajuda. Muitas vezes, a queda tem solução, e uma solução melhor do que você pensa, mas, muitas vezes, ela não se resolve sozinha. Descobrir o que você tem é o primeiro passo, porque tempo é cabelo. E não espere mais se o cabelo já está caindo há meses, se a queda não diminui ou se ele está ficando ralo.

Na consulta, investigo a causa da sua queda e o que a está mantendo e monto o tratamento para o seu caso. Veja também como trato a queda de cabelo e o que pode estar faltando no seu corpo, no artigo Queda de cabelo é falta de qual vitamina?.

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Perguntas frequentes

O eflúvio telógeno pode deixar careca?

Na maior parte dos casos, não: o fio que cai dá lugar a um fio novo, que nasce no mesmo lugar, e a maior parte das quedas melhora por completo. Mas, quando a queda se arrasta e a causa não é tratada, o cabelo fica cada vez mais ralo, e, quanto mais você espera, mais difícil fica recuperá-lo.

O estresse pode causar eflúvio telógeno?

Pode. O estresse forte faz o cabelo cair e cria também um estresse no metabolismo, que estimula a queda. Já o estresse do dia a dia, em geral, não leva tantos fios à fase de queda.

A queda de cabelo depois do parto é eflúvio telógeno?

É. O parto é um dos abalos que levam muitos fios à fase de queda ao mesmo tempo, e a queda depois dele está entre as que mais atendo nas mulheres. Em geral, ela começa de um a três meses depois do parto.

Quem usa caneta emagrecedora pode ter eflúvio telógeno?

Pode, e é uma das situações que mais atendo: a perda de peso rápida e a falta de proteína e de nutrientes levam muitos fios à fase de queda. No artigo Mounjaro faz cair o cabelo?, explico como tratar a queda sem parar a caneta.

Você atende homens, crianças e adolescentes?

Atendo mulheres, homens, crianças e adolescentes.

A consulta pode ser on-line?

Pode, principalmente o acompanhamento: se você preferir, o retorno e as consultas seguintes podem ser on-line. A consulta on-line é um pouco mais curta e não tem a tricoscopia, o exame do couro cabeludo, que só se faz no consultório. A consulta e o retorno on-line têm os mesmos valores dos presenciais.

Quanto custa a consulta?

A consulta custa R$ 780, com até uma hora e meia reservada para você. Para marcar, você paga uma taxa de agendamento de R$ 150, que é descontada do valor da consulta: no dia, faltam R$ 630. A taxa cobre a reserva da sala de atendimento, que eu faço quando você marca. Se eu cancelar a reserva com mais de 48 horas de antecedência, não pago nada pela sala. Se cancelar nas 48 horas anteriores ao horário, pago a sala. Por isso, se você cancelar a consulta com mais de 48 horas de antecedência, a taxa é devolvida. Se cancelar nas 48 horas anteriores ao horário marcado, a taxa não é devolvida, e para marcar uma nova consulta você paga de novo a taxa de agendamento de R$ 150. O retorno, que também é uma consulta longa, custa R$ 390, se for feito em até três meses depois da consulta. Depois desse prazo, a consulta é cobrada normalmente. O pagamento pode ser feito em até 12 vezes no cartão, e o parcelamento está sujeito à taxa de juros da máquina. Os valores se aplicam exclusivamente aos atendimentos no Tatuapé e on-line. Para atendimento em outro local, a política de preços muda, com valores mais altos, informados pelo WhatsApp.

Sobre a Dra. Stephanie Mansan

Toda beleza começa na sua saúde.

Dra. Stephanie Mansan, médica que trata a queda de cabelo no Tatuapé, em São Paulo

Dra. Stephanie Mansan

MÉDICACRM-SP 243253

A Dra. Stephanie é médica formada pela UFRJ, com o diploma reconhecido em Portugal. Tem pós-graduação em Dermatologia, curso de Tricologia e curso de transplante de cabelo, sobrancelhas e barba, e cursa a pós-graduação em Nutrologia. No Tatuapé, em São Paulo, cuida da queda de cabelo, da pele e do emagrecimento com acompanhamento médico e faz procedimentos como os fios de PDO. Em cada caso, investiga a causa da queixa olhando a pessoa inteira.

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Rua Vilela, 665, 8º andar (Livance), Tatuapé, São Paulo/SP - próximo ao Metrô Carrão.

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