Desenho de espinhas e crostas na pele

Foliculite: o que é, por que aparece e como tratar

As bolinhas inflamadas em volta dos pelos, os tipos de foliculite e o que funciona de verdade.

Dra. Stephanie Mansan

Por Dra. Stephanie Mansan

MÉDICA · CRM-SP 243253 · Publicado em 20 de outubro de 2026

Foliculite é a inflamação do folículo, o “buraquinho” de onde nasce cada pelo e cada fio de cabelo. Aparece como bolinhas vermelhas, às vezes com um pontinho de pus no centro, que podem coçar, arder ou doer. Ela pode surgir em qualquer lugar do corpo onde tem pelo: rosto, barba, axilas, virilha, nádegas, pernas e couro cabeludo.

Na maioria das vezes, existe uma infecção por trás, geralmente por bactérias que já vivem na nossa pele e que, em certas condições, se multiplicam dentro do folículo. Por isso, a foliculite não é “sujeira” nem falta de higiene: é uma inflamação que precisa ser entendida antes de ser tratada.

Avaliação médica necessária. Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento são definidos no exame, para o seu caso, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Foliculite ou queratose pilar?

Muita gente chama de foliculite aquelas bolinhas ásperas nos braços e nas coxas. Essas bolinhas, na maior parte das vezes, são queratose pilar, que é uma pseudofoliculite: não tem inflamação nem bactéria, é um espessamento da pele na saída do folículo. A foliculite verdadeira é diferente: é inflamada, costuma ficar vermelha, pode ter pus e dói ou coça. Os tratamentos são diferentes, e é por isso que vale ter o diagnóstico antes de comprar qualquer produto. Expliquei a diferença com mais detalhes no artigo Queratose pilar ou foliculite?.

O que causa a foliculite

A causa mais comum é bacteriana. Mas o folículo também pode inflamar por fungos, por atrito ou pela forma como o pelo cresce. Alguns fatores aumentam muito a chance de ela aparecer:

  • Depilação e barbear: a lâmina e a cera irritam o folículo, e o pelo que encrava pode inflamar.
  • Calor, suor e roupa apertada: o abafamento da pele favorece a multiplicação de bactérias e fungos.
  • Couro cabeludo abafado: o megahair, por exemplo, aumenta o acúmulo de sujidade e umidade e favorece a proliferação de fungos e bactérias, o que pode levar a dermatite seborreica, caspa e foliculite.
  • Pele com a barreira alterada: uso de produtos agressivos, coçar e cutucar as lesões.
  • Saúde geral: condições que alteram a imunidade ou o metabolismo, como o diabetes, deixam a pele mais vulnerável a infecções.

Espremer as bolinhas é um dos piores hábitos. Quando a gente espreme, empurra a inflamação para regiões mais profundas e rompe a barreira que o próprio corpo construiu para conter a infecção. Um problema superficial pode virar um nódulo, uma mancha ou até uma cicatriz.

Bolinhas inflamadas que voltam sempre?

Na consulta, a Dra. Stephanie examina a pele com o dermatoscópio e identifica o tipo de foliculite e o que está alimentando o problema.

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Os tipos de foliculite

Foliculite não é uma doença só. O nome descreve a inflamação do folículo, e a causa muda o tratamento. As formas mais comuns são:

  • Foliculite bacteriana: a mais comum, com bolinhas vermelhas e pontinhos de pus.
  • Foliculite por fungos: costuma aparecer no tronco e nos ombros, coça bastante e não melhora com antibiótico, porque a causa é outra.
  • Pseudofoliculite da barba e da depilação: o pelo cresce curvado, entra de volta na pele e inflama. É muito comum na barba e na virilha.
  • Foliculite no couro cabeludo: bolinhas, crostas e coceira entre os fios. Pode ser confundida com dermatite seborreica ou psoríase.

Foliculite decalvante: quando a foliculite derruba o cabelo

Existe uma forma de foliculite no couro cabeludo que merece atenção especial: a foliculite decalvante. Ela é uma infecção do couro cabeludo, com multiplicação de bactérias que inflamam os folículos e fazem os cabelos nascerem de forma totalmente alterada, às vezes vários fios saindo do mesmo ponto, até que, em algum momento, o cabelo para de nascer em vários folículos.

Um caso do consultório ilustra bem isso. Uma pessoa chegou com foliculite decalvante que vinha sendo tratada havia muitos anos, já avaliada por vários dermatologistas, e ainda com pústulas no couro cabeludo. Depois de revisarmos o diagnóstico e a conduta, as pústulas tiveram uma melhora importante e hoje o quadro está controlado. Cada caso responde de um jeito, e esse relato não é uma promessa de resultado.

É uma alopecia cicatricial: o folículo destruído não volta a produzir fio. Por isso, quanto antes o diagnóstico, maior a chance de preservar o cabelo que ainda existe. Pústulas que não somem, crostas e áreas que vão ficando lisas e sem fios no couro cabeludo pedem avaliação médica, e não apenas xampu. Sobre outras causas de falhas no cabelo, leia Alopecia tem cura?.

Como eu trato a foliculite

O tratamento depende do tipo, da extensão e da causa. Na consulta, eu examino as lesões, uso a dermatoscopia e, quando é no couro cabeludo, a tricoscopia. Às vezes é preciso colher material para cultura ou indicar uma biópsia, principalmente quando há suspeita de foliculite decalvante ou de outra alopecia cicatricial.

  • Foliculite bacteriana: por ser uma inflamação com infecção, é tratada principalmente com antibiótico, em pomada ou, nos casos mais extensos ou que voltam, por via oral, além de antissépticos na pele.
  • Foliculite por fungos: o tratamento é com antifúngicos, de passar ou de tomar, conforme o caso.
  • Pseudofoliculite: ajuste da forma de depilar ou barbear, cuidados para o pelo não encravar e, se necessário, medicações para desinflamar.
  • Foliculite decalvante: exige tratamento médico prolongado e acompanhamento, para controlar a inflamação e preservar os folículos.

Além do remédio, a gente precisa tirar o que está alimentando o problema: o abafamento, o atrito, os produtos que irritam a pele, a forma de depilar. E, como em todo o meu trabalho, eu olho a pessoa inteira. Se a pele está inflamando com facilidade, vale investigar se existe alguma condição de saúde que deixa o corpo mais vulnerável.

O que fazer em casa (e o que evitar)

  • Não esprema nem cutuque as bolinhas.
  • Evite roupas muito apertadas e troque a roupa suada logo depois do treino.
  • Se depila com lâmina, use uma lâmina nova e não passe várias vezes no mesmo lugar.
  • Não use antibiótico ou pomada com corticoide por conta própria: além de não resolver alguns tipos de foliculite, pode piorar e mascarar o diagnóstico.
  • Se usa megahair, mantenha o couro cabeludo limpo e seco e observe se aparecem bolinhas, crostas ou coceira.

Quando procurar ajuda médica

Procure avaliação se as bolinhas não melhoram em alguns dias, se voltam sempre, se se espalham, se doem muito, se aparecem caroços maiores, ou se há febre. No couro cabeludo, qualquer pústula persistente, crosta ou área ficando sem cabelo merece consulta logo, porque na foliculite decalvante o tempo faz diferença.

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Perguntas frequentes

Foliculite é contagiosa?

A foliculite bacteriana não costuma passar de uma pessoa para outra no contato do dia a dia, mas a bactéria pode se espalhar na própria pele, principalmente quando a pessoa coça ou espreme. Por isso, não divida lâminas e toalhas.

Foliculite some sozinha?

Os casos leves às vezes melhoram sozinhos quando o fator que irritou o folículo é retirado. Se as bolinhas persistem, voltam sempre ou se espalham, é preciso tratar com orientação médica.

Qual pomada é boa para foliculite?

Depende do tipo. A foliculite bacteriana pode precisar de antibiótico, e a por fungos, de antifúngico. Usar a pomada errada pode não resolver ou piorar. O tratamento é definido na consulta.

Foliculite no couro cabeludo faz cair o cabelo?

Pode. A foliculite decalvante é uma infecção do couro cabeludo que, sem tratamento, faz o cabelo parar de nascer em vários folículos. Por isso, pústulas e crostas persistentes no couro cabeludo merecem avaliação médica.

Qual a diferença entre foliculite e queratose pilar?

A queratose pilar é uma pseudofoliculite, sem inflamação nem bactéria: são bolinhas ásperas, tratadas com esfoliantes. A foliculite é uma inflamação do folículo, geralmente com infecção.

Sobre a Dra. Stephanie Mansan

Toda beleza começa na sua saúde.

Dra. Stephanie Mansan, médica que trata a queda de cabelo no Tatuapé, em São Paulo

Dra. Stephanie Mansan

MÉDICACRM-SP 243253

A Dra. Stephanie é médica formada pela UFRJ, com o diploma reconhecido em Portugal. Tem pós-graduação em Dermatologia, curso de Tricologia e curso de transplante de cabelo, sobrancelhas e barba, e cursa a pós-graduação em Nutrologia (Afya). No Tatuapé, em São Paulo, cuida da queda de cabelo, da pele e do emagrecimento com acompanhamento médico e faz procedimentos como os fios de PDO. Em cada caso, investiga a causa da queixa olhando a pessoa inteira.

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